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Na seção de inéditos de “O homem e sua hora e outros poemas”, há poesias como “Balatetta” que confirmam a homossexualidade do autor. A sra. encontrou obstáculos para publicá-los? Boaventura: Não. “Balatetta” já tinha sido publicado pelo Benedito Nunes, depois da morte de Faustino, nos anos 70. Mas quando Faustino fazia uma crítica mais ferina, mais desinteressante a algum poeta, as pessoas levantavam isso. Dizem até que Manuel Bandeira teria feito uma quadrinha troçando sobre esse aspecto da homossexualidade, mas eu não consegui encontrar. Muitos escritores da época repetem essa quadrinha, mas não achei. Eu não trabalhei esse aspecto agora, porque isso poderia sobressair. Mas é importante. Num outro momento vou trabalhar com isso. Tenho muito material, tenho coisas pessoais, correspondências. Quando ele morreu estava vivendo com um homem. Mas ele também teve muitas namoradas. Eu entrevistei várias delas. Ele era uma pessoa sedutora, um homem muito bonito. Uma delas precisamente, não vou dizer o nome, me mandou vários trabalhos, várias cartas. Por que eu estava atrás das cartas? Porque nas cartas ele enviava poemas. Ele gostava de corrigir, da precisão, da correção, do vigor. Como os poemas eram publicados nos jornais, e de alguns deles eu não tinha cópia, nem o manuscrito, fui atrás das cartas. É um material interessante, sério, importante, dolorido, “sangrante”. Mas com o qual só vou trabalhar depois que as pessoas conhecerem o Mário Faustino intelectual. Tomando emprestado as categorias de Ezra Pound, tão usadas pelo crítico brasileiro: Faustino teria sido mais inventor, mestre ou diluidor? Boaventura: Ele foi um mestre. Inventor em alguns textos, do ponto de vista da crítica, essa crítica despojada, direta, de linguagem acessível e fluente. Como poeta ele retrabalha uma série de temas, procedimentos formais. Mas, na crítica, ele inventou um modo de apresentar um poeta, seus defeitos, qualidades e perspectivas. Carolina Stanisci |