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prosa.poesia
INÉDITOS
Ponto cego e outros poemas Ainda às voltas/ com certa flor,/ enovelada em/ Novalis, o avisto/ no oco abismo
à cause de ce mensonge
Encerrado vicioso-sísmico (talvez apenas a sombra a beira-mar, a areia mar- cada a compasso, pacto de fronteira, com beiras ainda), ele cisma consigo, mas sou eu que abalo e assim o releio: Mesmo às cegas, a retina ainda neblina tingiu de azul (eye, with a film over it), tento revê-lo em outro relevo, o de sua letra ferina, a que fende e não cicatriza, mas meu olho filtra (with a hideous veil over it ) por não querer jamais perdê-lo de vista.
com certa flor, enovelada em Novalis, o avisto no oco abismo, buraco negro sem escape, mas no meio do redemoinho só reconheço o que seu diabo lúcido-suicídio (a dúvida cortante de dois machados), a meu ver, transluzir azul. E assim perco o foco do oco desvio, o olho (the damned spot) às escuras, adormeço e, em sonho, ao menos, sou eu que o embalo e assim me enleio. DOS TERRITÓRIOS (UM ROTEIRO) Prestes a romper o cerco, não mais contra- cenar com seus senos e co- cientes. Sem pensar duas vezes, dis- pensar sentidos e sentinelas, re- baixar a guarda de fronteiras, proscrevê-la. Abolir alfândegas, clãs e destinos.
tumos túmulos, decepar a rosa dos rumos, dissipar ventos (oito deles), despir-se de pares e díspares. Minar a margem (terceira) de um rio anônimo. Extra- ditá-lo.
KOUROS I De quem adia com os olhos (visionário) o que acabou de deitado ao chão, o mármore semilapidado, dissimula-se às tantas curvas do relevo, esquecido do cinzel. Divaga (lisa malícia essa, a que seus lábios acabam de esboçar) ainda ao alcance das mãos, ainda pouco depois de a pedra romper, quem o esculpia se ausentou a meio caminho: e ele, ele, tosco, no descampado. Do mármore, o grafismo marca traços ausentes, sua face, sempre outra, à contraluz. sob um sol eclipsado, obscurece, repentino, ele, ofuscado pela sombra interina (que tanto se pensa deslembrado de cada réstia de luz já vista. Aquele instante era sem prazo: lapso do restante, não consentia nenhum depois – enquanto o Kouros de Naxos dorme em Melanes, sob tamariscos. Aquela sombra o cegou. E a boca, entreaberta, (seus lábios incharam) soletrou que o êxtase é um corte.
flora única ao redor. O meandro em gesso, era mero engenho do que não cingia: Elipse de um silêncio de - marcado a dedo, suspensa à cabeça, a esfinge decifra só o que o dígito devora. Ela olha, aquém da voz :en_voi:la!notte: dança noturna, a negra e ainda por libar o vinho, acrobático jogo de (shut up! outro gesto dela, a adejar a cabeça, acena em branco :aqui jaz: o que o silêncio circunscreve.
as cadeiras eram arestas a serem limadas por sinais amenos (wouldn´t you come emitidos de longe: closer? ) um certo tecer de fio indistinto en- leia, ao eixo do retrós, imóvel rede- moinho de sílabas, segredos a fio, (a drop of something?) des(no,)vela e, lenta, retrossegue (not yet.), sem ceder. A voz dele sela à cera (impossible to draw... ) o que a dela silencia. De um arabesco celta onde o fio da meada? (...a woman) Entre abismos, só o vestígio do fogo: a fumaça ascende, e, corredia, indica o grito ex- tinto, vestindo o vale de ruído branco, ao invés.
to draw) outro círculo: um raro, com vértices. Desvia o olhar do alvo aponta a seta: but to forget the desire - that´s dirty acerta a mira
Foi o coiote que inventou a morte. Anunciou a sua, para mover os mudos: que cada qual ecoe, para acuá-la – ao canto! – e, adiada a vinda, desinventá-la. (I am the ethnic person) Foi o coiote.
Will the circle by and by, by and by the fireside long ago one emptied one by one they went away will the
(isn´t for a single one) traz à tona o que não houve, mas se finge extraviado: revisitar o invisto. Não um percurso refeito pelos aposentos, passos espaçados pelo átrio, rumo à rua ( a chuva cessara ), mas sim o halo em torno de lua alguma.
a guirlanda era um arco.
(OUTRO ÓRFICO) Retornou do Orco, como raros, a prenunciar o que a morte oculta. Em vão, ela quis selar seus olhos, eclipsá-los, a bálsamo cegá-lo. Mas ele mirou. Perfurou, com olhos argutos, „o rombo no tecido do espaço“ – e entreluziu. Fáustico, voltou- se, viu-a no vão, ele, no meio do vórtice-vertigo. Só, ele retornou do negro Orco com o aos cegos: um cristal de neve (r more).
À guisa da serpente, ela seduz, sibilina, ou simula traduzir ao invento (Adão atenta) o intento do artífice. Por um fio, seus muitos, Eva reconduz, ardilosa, a mão de quem forjou da argila (adamah) à forma, e a remodela: verte o gesto, a dedos, em reticência. Da tríade intérprete translitera, em ofício ofídio, o código do artífice em antídoto, e protela (Adão aguarda) o que no princípio. Em mímica ambígua, diz e dissimula, inocula, precisa, a dúvida, finca a presa, desnuda a falácia da língua dita adamítica. Ela protrai a palavra e por um sopro, converte o molde em verve sinuosa. Eva desvirtua: enquanto o verbo dilui-se em deflúvio.
Simone Homem de Mello
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